Visibilidade aos povos indígenas




Convidados ocuparão o Museu da UFPA e o Museu Paraense Emílio Goeldi - Pavilhão Rocinha
Na noite de hoje ocorre a abertura oficial da mostra de arte contemporânea Arte Pará 2018. Com o eixo curatorial “Área Indígena”, este ano a mostra reúne trabalhos de 21 artistas de todo o país. O evento de abertura inicia às 19h30, no Museu da Universidade Federal do Pará, com entrada franca.
O público será recebido por um sarau, e a cerimônia de abertura terá ainda uma apresentação da Camerata Amazônica. Também estarão presentes no evento: a diretora executiva da Fundação Romulo Maiorana, Roberta Maiorana; o professor Vicente Noronha e Wilson Portela, ambos da Faculdade Integrada Brasil Amazônia (FIBRA), patrocinadora da mostra; além da diretora do Museu da UFPA, Jussara Derenji.
Alguns artistas que compõem a mostra deste ano também estarão presentes no evento. São eles: Xadalu, Otávio Cardoso, Valda Marques, Nina Matos, Ruma, Éder Oliveira, Dina de Oliveira, Armando Sobral e Armando Queiroz.
O Arte Pará 2018 tem curadoria geral do capixaba Paulo Herckenhoff. E o trabalho dos 21 artistas convidados ocupará o Museu da UFPA e o Museu Paraense Emílio Goeldi, pavilhão da Rocinha.
A mostra está dividida da seguinte forma: no Museu da UFPA o público poderá conferir um núcleo chamado “Videos Extraordinários”, com trabalhos dos artistas Letícia Parente, Guerreiro do Divino Amor, Juliana Notari, Katia Maciel, Niura Bellavinha, Isabel Ramil, Octávio Cardoso e Armando Queiroz. O mesmo museu também irá abrigar o núcleo da pintura, composto por obras da Nina Matos, Dina de Oliveira, Eder Oliveira, Armando Sobral e Ruma.
Já no pavilhão da Rocinha, no Museu Paraense Emílio Goeldi, será possível visitar o núcleo de produções de artistas que fotografam indígenas. Lá estarão expostas séries fotográficas de Edu Simões, João Farkas, Rogério Assis, Valdir Cruz, Claudia Andujar, Xadalu e Berna Reale.
Além da curadoria de Herckenhoff, o Arte Pará tem como curadoras adjuntas Roberta Maiorana, na mostra do Museu Emílio Goeldi; e Vânia Leal Machado, no Museu da UFPA.
Sobre a importância do tema escolhido para o Arte Pará deste ano, considerando o contexto atual do país, Vânia diz: “Eu penso que os 21 artistas que fazem parte dessa mostra, que atravessa a área indígena, conceito curatorial de Paulo Herckenhoff, mostra que os artistas, por meio de imagens, encontram uma maneira de dar visibilidade às sociedades indígenas, e principalmente de valorizar seu patrimônio cultural, que é muito diverso”.
Entre os trabalhos que retratam povo indígenas em fotografias está o do artista visual Xadalu. Indígena do Rio Grande do Sul, sua obra transita entre intervenções nas ruas e exposições em museus, galerias e centros culturais. Sua produção diversificada mescla as colagens da sticker art a técnicas e linguagens como a serigrafia, a pintura, a fotografia e o objeto.
“Eu tenho um trabalho de fotografia no sul do Brasil que relata conflito dos indígenas e dos brancos, na circunstâncias em que o indígena vai para a cidade para vender o artesanato, e acaba ocupando o espaço urbano para mostrar seu trabalho no chão, próximo às lojas, e isso cria um conflito, que é designado assim que os comerciantes e as pessoas que passam, veem isso como um ato ilegal, além de estar estragando e deteriorando a estética do espaço urbano”, explica Xadalu. “Então a rua, que é um espaço público, passa a ser dominada por essas pessoas, e o comércio age de uma maneira hostil na presença dos indígenas, com a desculpa de que estraga o visual do comércio. Fora esse preconceito velado, tem as pessoas que passam e chutam eles”.
O trabalho de Xadalu ficará instalado no Museu Emílio Goeldi, mas o artista também produzirá intervenções artísticas pela cidade. Em entrevista, ele relembrou alguns de seus outros trabalhos. “Mostrando essa invisibilidade dos indígenas, eu fiz uma série que hoje faz parte do Museu de Arte do Rio (MAR). Ela se chama ‘Seres Invisíveis’, uma série dos indígenas presentes no centro de Porto Alegre, e ela mostra muito bem o cenário dos indígenas presentes na cidade, que traz esse desconforto de uma parte da população que transita no centro da cidade”, relembra.
Ainda sobre a forma que os povos indígenas são retratados nas fotografias, Vânia Leal diz: “Eu entendo que as sociedades indígenas retratadas e fotografadas do jeito que estão no Arte Pará, de modo algum são retratadas com exotismo e preconceito, mas com todo cuidado e respeito que eles merecem, e isso é relevante dentro dessa mostra”, destaca Vânia. “O olhar dos fotógrafos convidados é diverso, assim como os povos indígenas, suas histórias, culturas e seus contatos sociais, eles são extremamente importantes. Então eu acredito que essa mostra é extremamente relevante para que possamos perceber e reconhecer a sociedade indígena como voz própria”.
Este ano o Arte Pará conta com o patrocínio máster da Faculdade Integrada Brasil Amazônia (Fibra). Irene Noronha, diretora acadêmica da instituição, considera importante a linha curatorial escolhida para a mostra deste ano. “As nossas raízes são da Amazônia, e somos uma faculdade que zela por esse cunho amazônico, de sempre valorizar nossas raízes em nossas ações. Esta não é a primeira vez que a empresa participa como patrocinadora do Arte Pará, porque entendemos que a arte deve fazer parte da formação de qualquer pessoa, e como instituição de ensino superior, não podemos ficar distantes disso”, destacou Irene.
Além da abertura oficial, o Arte Pará terá, na manhã de quinta-feira (11), outra abertura, no Museu Paraense Emílio Goeldi - Pavilhão Rocinha, às 10h30. 


Fonte: O Liberal/Magazine (Texto e Foto)

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