PALAVRAS E IMAGENS: EXPOSIÇÕES TRAZEM A POESIA EM VERSOS, FOTOS E CHARGES

 



A poesia chega ao homem por várias linguagens. Palavras, fotografias, charges, caricaturas, recortes de vida, em cuja essência transborda a poética de momentos e sentimentos que se perpetuam. Em um salão de humor e três exposições, a XXI Feira Pan-Amazônica do Livro, realizada até o próximo domingo, no Hangar, em Belém, coloca no mapa do país “A Poesia” homenagens aos escritores Lindanor Celina e Ferreira Gullar, e ao fotógrafo Miguel Chikaoka, e ainda os trabalhos selecionados no IX Festival Internacional de Humor da Amazônia, organizado por Biratan Porto e realizado pela Secretaria de Estado de Cultura (Secult) e Banco da Amazônia, que já integra o calendário nacional de salões de humor.
    Logo na entrada do auditório Benedito Nunes, no 1º piso, está montada a exposição “Ferreira Gullar: in memoriam”, que em 11 painéis reproduz trechos de duas obras do poeta maranhense, morto em 4 de dezembro de 2016. Ao lado de fotos de Ferreira Gullar, algumas de suas passagens por Belém, incluindo a Feira Pan-Amazônica do Livro, estão trechos do “Poema Sujo” e do poema “Traduzir-se”. Com a curadoria de Emmanuel Franco, a exposição tem fotos de Elza Lima e Paula Sampaio.
    Nascido em São Luís, no Maranhão, José Ribamar Ferreira adotou o nome Ferreira Gullar (mudando a grafia do sobrenome de sua mãe, Goulart), e em mais de oito décadas de existência consolidou uma trajetória como poeta, crítico de arte, tradutor, memorialista e ensaísta. Foi um dos fundadores do neoconcretismo na poesia e se tornou imortal da Academia Brasileira de Letras. Perseguido e exilado nos tempos da ditadura, encontrou na capital argentina, Buenos Aires, o cenário para se desnudar pelos versos de “Poema Sujo”, obra que chegou ao Brasil, ainda nos anos de chumbo, pela determinação do também poeta Vinícius de Moraes.

    “Menina de Bragança” - Saindo dos versos contundentes de Ferreira Gullar, chega-se ao encantamento da exposição “Portas Abertas para Lindanor Celina”, produzida pela Casa das Artes, da Fundação Cultural do Pará (FCP), em homenagem ao centenário de nascimento da autora e “A Menina que vem de Itaiara”.

    Em 14 painéis estão fotos de Lindanor em vários momentos; uma cronologia de suas obras; fotos da Lindanor Viajante; o carinho de amigos, como Gutemberg Guerra, Amarilis Tupiassú, Ana Maria Barbosa Rodrigues e João Carlos Pereira; crônicas; cartas de Lindanor para Maria de Belém Menezes, que alimentaram a amizade das duas no período em que a escritora viajou para Paris; a família, e o testemunho do amor de Serge Cashà, professor de Literatura Brasileira na Universidade de Nanterre, com quem Lindanor foi casada por mais de 30 anos.

    “Eu me buscava / Você me achou, eu renasci / Eu era Você / Sem saber sabendo / Celinda”, escreveu o apaixonado Serge para a escritora que “não se desgarrou da Província”, e levou a literatura brasileira para outros mundos, na definição do grande mestre Dalcídio Jurandir.

    Tecelão - Em preto e branco, Miguel Chikaoka tece imagens impregnadas da poética do cotidiano. As 18 fotografias reproduzidas na exposição “Miguel Chikaoka – A Poética de uma Coleção” – Travessias, integram a coleção de 40 obras que pertence ao museu da Casa da 11 Janelas, adquirida em 2014 pela 7ª edição do Prêmio de Artes Plásticas Marcantonio Vilaça, da Funarte.

    Com a curadoria de Marisa Mokarzel e produção de Akiko Akao, a exposição inebria o olhar com registros de uma realidade que não apenas se vive, mas se desfruta, na delícia de um banho de rio ou no giro alucinante em um brinquedo “de arraial”.

Texto: Socorro Costa
 Foto : Eunice Pinto
Serviço: Período: 26 de maio a 4 de junho de 2017
Local: Hangar – Centro de Convenções e Feiras da Amazônia
Horário: 10 às 22h
Entrada franca
Programação completa em www.feiradolivro.pa.gov.br

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