Por que a volta de ‘Os Trapalhões’ não vai dar certo



Em 2016 completam-se os 50 anos da primeira aparição do grupo, com o nome de ‘Os Adoráveis Trapalhões’, lá na TV Excelsior. Embora fosse outra formação, ainda sem Mussum e Zacarias, é uma data significativa e que mereceria destaque. Ocorre que estamos chegando no final do ano e não me recordo de ter visto algo – digo comemoração – a altura da efeméride. Talvez até porque a Globo só considere ‘Os Trapalhões’ a partir do momento em que o grupo foi para a emissora, em 1977.
Então leio que Globo e Canal Viva planejam uma comemoração para o próximo ano. Mais: empolgados com o sucesso do remake de ‘A Escolinha do Professor Raimundo’, pensam em reviver “Os Trapalhões”. Há algumas possibilidades aventadas. Uma delas seria fazer algo exatamente como ‘A Escolinha’ – ou seja, com outros atores encarnando o quarteto (creio ser a mais viável e prudente).
A outra seria ter Renato Aragão e Dedé Santana nos papeis originais e dois atores interpretando Mussum e Zacarias. Notícia mais recente, entretanto, informa que a coisa já está emperrando na negociação dos direitos de imagem, pois não há certeza se os nomes de Mussum e Zacarias podem ser usados. Digamos que possam – é totalmente sem sentido tentar reencarnar os dois.
Diferentemente dos personagens da ‘Escolinha’, que têm vida própria independentemente de quem os interprete (alguns deles, inclusive, ficaram melhores com os novos atores), Mussum e Zacarias são um caso de personagens que se confundem com seus intérpretes. Não existe Mussum sem Antônio Carlos nem Zacarias sem o Mauro; assim como não há Pelé sem o Edson, “entende? ”. Didi, Mussum, Zacarias e Dedé são como Paul, John, George e Ringo (exatamente nesta ordem).

Há outro fator aí a se levar em conta: muito da graça de ‘Os Trapalhões’ original vinha de certo improviso que Mussum sabidamente despejava sobre o script. O ‘mussunês” é algo totalmente original e intransferível, um dos momentos de genialidade na TV brasileira (ou um dos momentis de genialidadis na TV brasileiris).

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